domingo, 2 de março de 2008

[a convite] goran bregović

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Goran Bregovic © Direitos Reservados

O concerto abriu com apenas duas cantoras búlgaras, trajadas a rigor, de mão dada e sozinhas em palco. Entretanto, para espanto geral, os músicos de instrumentos de sopro, iam surgindo, um por um, entre o público. A sala que estava repleta, foi obrigada a virar-se de costas para o palco, assistindo a ritmos desconcertantes que esses músicos produziam enquanto caminhavam pelo público. É que eles estavam bem-dispostos, alegres, mas tocavam melodias belas, muito tristes, puramente fúnebres. Subiram ao palco e de seguida chegou o percussionista para os acompanhar na entrada fúnebre. O último a aparecer foi o brilhantíssimo Goran Bregovic. Já com os 10 músicos em palco, soltaram a primeira bomba de adrenalina que imediatamente conquistou o público. Era um ritmo fortíssimo, obrigatório de se dançar, algo que quem conhece de Bregovic vê que é mesmo assim, quase um exorcismo. Dezenas de pessoas saltaram das suas cadeiras e foram a correr para junto do palco. Por lá ficaram a dançar, quase que hipnotizados, até ao final do concerto. Bregovic e o percussionista, que ocupavam a parte central do palco, mantiveram um sorriso contínuo durante todo o concerto. Eles riam-se porque estavam a desfrutar em pleno, porque estavam entregues à música mas também ao público. E aqueles sorrisos pareciam também de alguém que tem consciência que está a fornecer uma droga, tipo o taberneiro que serve ao bêbado uma malga de vinho, em que apenas falta a gota que a fará transbordar. Eles sabiam desde o início que conseguíam levar a sala à loucura, eles sabiam que não ia haver uma única pessoa a ficar sentada, sem dançar. O alinhamento foi equilibradíssimo, alternando entre a festa que nos obrigava a dançar e os ritmos fúnebres, melodias que falam a linguagem da alma e atropelam o espírito. Hinos como In the death car e Mesecina não foram esquecidos e esta última fez, com toda a certeza, com que as fundações do magnífico Grande Auditório do Vila Flor fossem estremecidas. Os músicos conseguiram, garantidamente, esmagar o público. Para fechar o espectáculo, e depois de insistentes pedidos da palteia, Bregovic lançou um feitiço chamado Kalashnikov. Ele mesmo explicou que no seu país há muitas guerras e que morre demasiada gente inocente. A música, disse ao público [porque há músicas que falam] que apesar de martirizado, o povo dos Balcãs, faz desse cenário de guerra uma festa, vivem as suas vidas em celebração, conscientes que só vivem uma vez. Kalashnikov foi a prova da possessão geral entre o público. Dançámos, saltámos, cantámos, tal como alguns dos músicos, enquanto Bregovic cantava, com o seu copo de whisky na mão, consciente do vírus que espalhara naquela multidão. Absolutamente inesquecível. Brilhante.

Por Francisco Rodrigues, a convite do Ócio. Francisco Rodrigues é autor do blogue Mesa da Ciência e já escreveu A Convite do Ócio um artigo sobre As Catacumbas de Edimburgo.

quinta-feira, 28 de fevereiro de 2008

[a convite] the wombats


The Wombats © DR

Os The Wombats são um trio oriundo da cidade de Liverpool. Com Matthew Murphy como vocalista, guitarrista e teclista, Dan Haggis como baterista e segundo vocalista e o Norueguês Tord Øverland-Knudsen, encarregue do baixo e de algumas vozes adicionais. Conheceram-se no Liverpool Institute of Performin Arts e foi esta escola que lhes permitiu darem os seus primeiros passos fora de Inglaterra.

E foi fora de Inglaterra, no Japão, que conseguíram lançar o seu primeiro álbum "Girls, Boys and Marsupials" (2006) que serviria de base para "A Guide to Love, Loss & Desperation" (2007) que alcançou o 11º lugar no top Inglês e que vem "embalado" pelo sucesso de Let's Dance to Joy Division (YouTube) ou Moving to New York (YouTube). E é no Myspace da banda, onde mais poderia ser, que podemos conhecer estes, e outros temas.

Já este ano conseguíram três nomeações para os New Musical Express Awards e abriram a CEC Liverpool 2008. No panorama nacional os The Wombats foram esta semana a segunda banda confirmada para a edição deste ano do Festival Heineken Paredes de Coura.

Por João Marques, a convite do Ócio. O João estuda na Secundária Francisco de Holanda e, em breve, escreverá regularmente aqui. Tem um espaço no Myspace.

segunda-feira, 2 de julho de 2007

[a convite] as catacumbas de edimburgo







As catacumbas de Edimburgo são uma série de salas e corredores subterrâneas sob a South Bridge, em Edimburgo, na Escócia.

No final do século XVIII, Edimburgo era uma cidade em expansão e as duas pontes (North Bridge e South Bridge) foram construídas para facilitar o seu crescimento.
A South Bridge é um viaduto com 19 grandes arcos em pedra, mas apenas um está visível hoje em dia – o Cowgate Arch. Os restantes 18 arcos foram fechados por edifícios para arrendamento, na tentativa de se criar uma zona comercial. Nos arcos escondidos, foram feitos andares e divisórias para albergar indústrias. No total surgiram 120 catacumbas sob a South Bridge. A ponte foi construída à pressa (inaugurada em 1788) e a sua superfície não ficou bem vedada, o que começou a inundar as catacumbas. Estas foram progressivamente abandonadas em 1795. A revolução industrial trouxe novos moradores para as catacumbas, gente pobre que não tinha alternativa onde morar. Assim, nasceu um autêntico "bairro de lata" de Edimburgo em que, mais tarde, também apareceram casas de prostituição e pubs. As condições eram absolutamente deploráveis: não havia água, saneamento, luz natural ou ar puro naquelas habitações além do imenso frio. Mesmo assim, havia famílias com mais de 10 pessoas a viverem nestas condições e em espaços muito reduzidos. Naturalmente a criminalidade começou a aumentar, com assaltos e assassínios. Não se sabe ao certo quando todo aquele complexo foi fechado, pensa-se que poderá ter sido em 1835 ou 1875. Em alguns pontos das catacumbas foram despejadas toneladas de cascalho, tornando essas zonas inacessíveis. Este mundo subterrâneo foi então esquecido até 1988, altura em que passaram a ser um itinerário turístico de profissionais e amadores "caça-fantasmas", ou apenas curiosos, encantados com a melancolia labiríntica, escuridão e trevas daqueles corredores, na esperança de encontrarem algum espírito.

Por Francisco Rodrigues, a convite do Ócio. Francisco Rodrigues é autor do blogue Mesa da Ciência e colaborador dos blogues Arsenal de Braga e BlogMinho.

quinta-feira, 19 de abril de 2007

[a convite] cartaz ócio

electriklife
Ócio, por Electrik Life

O meu sincero obrigado ao Electrik Life, autor do blogue Mundo Urbano (www.mundourbano.blogspot.com), que respondeu ao meu pedido para fazer um cartaz para o Ócio. Para quem nunca visitou, o Mundo Urbano é um blogue de Cultura Urbana. Fala sobre artes, design, música, eventos e tendências, e é actualizado todos os dias, tendo uma óptima selecção de links e conteúdos muito interessantes. Mais uma vez, obrigado boy! :)